Conheça os Quarenta Servidores: oráculo e chaos magick

Os Quarenta Servidores (The Forty Servants) são uma criação de Tommie Kelly, do Adventures in Woo Woo. As 40 lâminas podem ser usadas tanto como oráculo quanto como instrumento de magia.

Por magia, entenda que cada servidor pode ser instruído a realizar algo, conforme seus atributos, dentro dos princípios da Chaos Magick. Não vou entrar neste mérito porque não é a minha praia. O que me interessa compartilhar aqui é um pouco da minha experiência oracular com o deck.

Eles apareceram para mim em um gif no Facebook. Na primeira versão, não havia qualquer referência do que se tratava e tive que buscar a informação no Google com o print de uma imagem. Identifiquei a carta que saiu e o que ela significava. Li sobre outras cartas e me interessei bastante pelo conjunto.

Os Quarenta Servidores
Os Quarenta Servidores

Quem criou?

Tommie Kelly é ilustrador e roteirista irlandês de quadrinhos, entre outras atividades. Começou a criar os servidores para uso próprio com o foco na Chaos Magick mesmo. Quando compartilhou algumas imagens nas redes sociais, amigos se interessaram e pediram para adquirir uma cópia. Cartões em A5 foram formatados, mas tiveram pouca saída. A finalidade deles era compor um altar para evocar aquelas energias. A ideia de uso como oráculo veio em seguida, mas ele esperava que as pessoas esquecessem disso semanas depois. Talvez fizesse umas 10 vendas, cogitou.

O que ele não imaginava foi que tantas pessoas começassem a usar e a conversar a respeito deles. No Facebook, temos o fórum americano, o fórum brasileiro e outro de língua espanhola. O baralho está disponível on demand pelo site The Game Crafter – sim, eles mandam para o Brasil. O primeiro guia, disponibilizado de graça no site, está passando por uma revisão para ser vendido, em breve, com muito mais conteúdo, no formato ebook. No YouTube, Tommie tem falado sobre cada lâmina – e nada melhor do que o criador falando de sua criação.

Quem são os Quarenta Servidores?

The Carnal

Acredito que os Quarenta Servidores ainda evoluam bastante a partir da prática de autor e operadores. Em um recente update, comparações e diferenças foram inseridas no site.  Nos fóruns, alguns questionam como interpretar The Carnal em assuntos que não estejam relacionados com sexo, por exemplo.

E se de um lado temos The Carnal, também existe The Chaste, representada por uma freira. A primeira indica atração sexual, desejo animal puro e a capacidade de se sentir desejável. A segunda está voltada para a virtude, honra, pureza e moralidade. E se The Carnal fala dos encontros descartáveis, The Lovers evocam o amor que aparece depois que a luxúria foi satisfeita. É bem legal como os conceitos são construídos.

Nas tabelas recém publicadas, também encontramos que tanto The Explorer quanto The Adventurer buscam expandir seus horizontes e sair da zona de conforto, ok. No entanto, a segunda procura coisas novas e excitantes (cresce para fora), enquanto  o primeiro tem seu foco no desenvolvimento pessoal (cresce para dentro).

Como em todo oráculo, encontraremos cartas favoráveis e cartas difíceis. Todos querem as bênçãos de servidores como The Road Opener e The Fortunate. Como os nomes sugerem, são cartas de boa sorte. A primeira remove os obstáculos, a segunda mostra como a vida pode ser boa. Servidores como The Depleted e The Desesperate não são recebidos com a mesma alegria. The Depleted revela esterilidade e decadência. The Desesperate, num momento de leitura, que o consulente vive o seu inferno. Se for para comparar, é o 9 de Espadas do tarot.

Trabalhando conselhos de  forma tangível

Os Quarenta Servidores | The Explorer
The Explorer

The Planet saiu em uma leitura dia desses. O cliente reclamava das escolhas que fez e perdeu a fé por achar que não era mais cuidado pelos deuses. A mensagem foi direta: “meu amigo, cuidado com toda essa autoimportância. A vida é muito maior do que você pode compreender. Tudo é como tem que ser, tanto nas alegrias quanto nas dores. Os deuses cuidam de você, sim, mas não giram em torno de seus desejos. Diminua a reatividade e flua como um rio em direção ao mar”.

Do Tarot, só por causa dos seus nomes, surgem The Dead e The Devil. Cito as duas porque possuem interpretações curiosas. The Dead destaca experiências passadas e ancestralidade. Especificamente sobre experiências passadas, devemos tomar cuidado para não repetir os erros. Com relação à ancestralidade, respeite a sabedoria dos mais velhos: parentes, amigos e pessoas notáveis. “Mas pode falar de términos?” Sim, de algo que morreu ou está a ponto de morrer, como uma paixão, um trabalho, um interesse.

The Devil, por sua vez, alerta para restrições autoimpostas, ao contrário do servidor The Opposer, que sinaliza uma resistência que vem de fora.  The Devil é um convite para revisitar crenças, medos e percepções ultrapassadas de “certo” e “errado”.  Você está vivendo a sua verdade ou se comportando como os outros esperam? Usar The Devil na magick serve para mostrar ao operador essas limitações – esteja pronto para a experiência.

As 40 cartas não são numeradas. A apresentação é feita em ordem alfabética, começando pela The Adventurer até chegar em The Witch.

Exemplo de leitura com os Quarenta Servidores

Até  o momento, usei os Quarenta Servidores como complemento à leitura do tarot. O meu atendimento tem duas partes: a primeira com o Tabuleiro e uma segunda com perguntas e respostas. A vantagem de se acrescentar as cartas de um oráculo novo em outro que você domina é porque fica mais fácil analisar a coerência das mensagens.

Em algumas situações respondi diretamente com eles, adotando o meu método padrão. Como exemplo, pego uma pergunta real: o cliente deseja saber se vale a pena investir em um determinado curso.

Tiragem com os Quarenta Servidores
Exemplo de tiragem: “Devo fazer o curso xyz?”

Na primeira posição, The Thinker indica que o consulente observa a questão com imparcialidade. Todos os aspectos são analisados dentro de uma perspectiva de ganhos e perdas ao invés de ceder a um apelo subjetivo ou emocional. É tudo preto no branco. Qual o real benefício em fazer tal curso? Se chegar à conclusão que não deve fazer, não terá arrependimento. Promessas vagas não o deixarão com o sentimento de que perdeu algo.

À direita, na segunda posição, The Librarian. Para uma pergunta sobre curso, é pertinente que surja uma servidora do estudo e do conhecimento técnico. O tema parece ser de interesse do consulente, que deseja se aprimorar aprendendo algo novo. O interessante é que The Librarian é autodidata, logo, talvez o consulente pudesse obter “o mesmo” conhecimento através de livros e outras fontes disponíveis. Este é um ponto para The Thinker considerar. Vale a pena? Terei plena confiança no que assimilar? Tenho tempo e paciência para isso? O fato que depender de um instrutor, ele não depende.

O desafio, à esquerda, traz The Fortunate. Desafio não é impedimento, apenas algo para se ter atenção. No caso, os recursos estão limitados. Não é que o consulente não tenha recursos (ou apareceria The Depleted), mas ele precisa fazer escolhas, pois não está sobrando.

Na quarta posição, acima, The Master. Estou com esta imagem na capa do meu Facebook pessoal. The Master sabe tudo. Ele é a melhor versão do consulente. No guia, Tommie sugere que é a conexão com o SAG, o Santo Anjo Guardião. Ele aqui é mais do que um empurrão para que o consulente faça este curso, que tem uma conotação espiritual – e valeria também se não fosse.

No centro, The Dead. A posição central descreve a razão de ser das coisas, o pano de fundo para a questão. The Dead assinala muitos dos pontos cobertos pelo curso, como ancestralidade e vidas passadas. Me passa pela cabeça uma herança espiritual também. Talvez um trabalho a ser resgatado e levado adiante. Não descarto a possibilidade deste curso trazer mudanças profundas em sua vida. Só o tempo para confirmar.

Como conselho, The Father. Ele é a própria carta do orientador.  Ele afirma, a meu ver, que o instrutor do curso em questão é alguém experiente que pode guiar o consulente por este caminho. Pode ser alguém um tanto duro no trato, mas que vai zelar pelo seu melhor. Talvez o mais importante aqui é que The Librarian opta por fazer as coisas sozinha e o jogo recomenda: “você até poderia, mas é melhor contar com a ajuda de alguém”.

Para perguntas e acréscimos, deixe um comentário. Eu comprei uma edição impressa dos Quarenta Servidores que ainda não chegou. Por enquanto uso uma versão digital em alta resolução que o Tommie vende aqui. Sai por 10 Euros. Você imprime e corta como eu fiz.

Os Quarenta Servidores | The Contemplator
The Contemplator

Possam todos se beneficiar!

Posts Relacionados:

About Marcelo Bueno 86 Articles
Marcelo Bueno é cartomante com especialização no Tarot. Além de editor do Zephyrus Tarot, promove cursos, workshops e atendimentos com este oráculo.
  • Luiz Antonio Carlin

    MArcelo, muito legal. Tá ai mais um tema para um encontro :-)

    • Só depois de estar bem rodado e tiver um esquema para que as pessoas tenham as cartas.

  • Fábio Fonseca

    Olá, gostaria de saber se vc primeiro abre o tarot e junto o deck dos 40, ou se vc faz separado, tipo primeiro o tarot e finaliza e abre os 40 depois..?
    grato, ,

    • Teve uma situação, duas semanas em que a cliente estava em dúvida entre três ofertas profissionais: insistir aqui, ir para cidade x ou ir para a cidade y. Eu fiz três jogos parecidos com o que descrevi com o Tarot. Depois tirei um servidor para cada opção e foi incrível como os dois oráculos estavam sincronizados.

      Outras três vezes eu fiz exatamente como no exemplo. Como expliquei, meu atendimento tem duas partes. Na segunda, usei os Servidores para responder – e somente eles.

  • Juliana Batista

    Obrigada por disponibilizar o conhecimento desse oráculo, Marcelo! Ele tem mexido comigo.