O que é o Tarot?

Antoine Court de Gébelin | Zephyrus Tarot
Antoine Court de Gébelin

O Tarot é um oráculo da família da cartomancia, uma ferramenta de aconselhamento e previsão que se utiliza de cartas. Composto por 78 lâminas, é dividido em três grupo distintos: Arcanos Maiores, Cartas Numeradas e Figuras da Corte. Tanto as Cartas Numeradas quanto as Figuras da Corte têm em comum uma subdivisão em quatro naipes (Ouros, Espadas, Copas e Paus). Por conta disso, muitos consideram que, para além dos Arcanos Maiores, tudo é Arcano Menor.

Não se atribui a uma pessoa (ou grupo) a sua criação. O que se sabe, a princípio, é que o Tarot servia apenas como entretenimento entre nobres do século XV. Também que, em algum momento, entre 1773-1778, as cartas foram apresentadas a Antoine Court de Gébelin. Ele foi o primeiro a reconhecer nos Trunfos (outro nome dado aos Maiores) símbolos e alegorias associados ao Livro de Thoth. A publicação do seu ensaio na obra Le Monde Primitif chamou a atenção de outros ocultistas e começou aí uma série de estudos para o uso do baralho como instrumento de previsão e de desenvolvimento iniciático.

Há algumas publicações de qualidade que se debruçam sobre os fatos históricos e a evolução simbólica das imagens. Aconselho fortemente àqueles interessados em interpretar as cartas que não ignorem esses trabalhos. Quanto mais a gente se aprofunda, mais rica a leitura.

Grand Etteilla | Zephyrus Tarot
Grand Etteilla

Preciso dizer que eu não sei como o Tarot funciona. Sério. Ele pode ser utilizado por ateus, católicos, budistas, kardecistas, wiccanos etc. Não importa a fé (ou a falta dela). E funciona. O que isso significa? Significa que sai a carta certa na casa certa do método dentro do contexto a que se refere a pergunta. Tudo combina e as cartas conversam uma com as outras. A partir deste ponto, conta a habilidade do cartomante em descrever uma situação ou pessoa, fazer previsões ou dar um conselho combinando as diferentes lâminas de um jogo.

Por que eu deveria me consultar?

Sou particularmente contra o uso do oráculo para qualquer questão, ao ponto de não fazer nada sem recorrer a ele – se o cometário te assusta, saiba que é muito comum isso acontecer. As cartas não deveriam se prestar a criar dependências ou fortalecer inseguranças. Para muitas coisas na vida basta ter bom senso ou exercitar a voz interior (e a gente PRECISA entrar em contato com essa voz).

Há momentos, no entanto, que o norte nos escapa, seja porque tomamos uma rasteira, porque estamos caminhando em um terreno minado ou porque a estrada da vida bifurca e não temos a menor ideia por qual direção seguir. Nesses casos, o Tarot pode ser uma bússola que nos ajuda a retomar nossa história-caminho-propósito ou criar algo novo porque o que vivemos até então chegou (ou está chegando) ao fim. Isso vale para tudo: trabalho, relacionamentos, projetos pessoais, espiritualidade etc.

O estilo de cada tarólogo varia, claro. Cada um tem o seu repertório e formação, além das características próprias que irão influenciar a mensagem a ser transmitida na sua forma e conteúdo. O meu empenho pessoal está em levar esclarecimento aos pontos obscuros. O que vamos colher adiante depende do que estamos plantando agora. Mexa na régua do tempo e perceba que o que se vive no presente também foi semeado no passado. Algumas coisas são óbvias; outras, nem tanto.

As cartas podem falar, por exemplo, de um comportamento que ajuda ou atrapalha em uma situação, de falsas crenças, medos e ressentimentos, de habilidades que precisam ser desenvolvidas, de apegos. Indicam também oportunidades, ameaças, desafios e fatos concretos, como a possibilidades de ganhos ou de perdas.

Tudo é colocado de forma prática e objetiva. Se você procura uma terapia, há profissionais mais qualificados para isso. Não existe um dono da verdade. Ouça e questione tudo.  E saiba que, seja qual for a situação, e principalmente diante do inevitável, o mais importante é saber como lidar com ele.

O grande exercício do Tarot é fazer a gente pensar. Tem gente que se deslumbra momentaneamente com as informações (“uau, como você sabe disso?”) e não faz nada para mudar o que estava ao seu alcance. Um tempo depois volta só para dizer “você estava certo” e isso não me deixa feliz. Tem gente, por outro lado, que rumina a conversa por dias, promove ajustes significativos e retornam com o discurso “puxa, que bom termos falamos daquilo”. Com esses eu realmente sei que fiz um bom trabalho.

A Grande Ficha | Zephyrus Tarot
A Grande Ficha – Laerte

Qual a vantagem em aprender?

Então, tenho algumas opiniões que eu sei que muita gente vai contestar, mas continuarão a ser a forma como encaro tudo isso. Talvez alguém aprenda a costurar para não ter que pagar mais para alguém fazer isso, certo? Fazer a própria roupa, ajustes e consertos gera uma grande economia no orçamento se você faz uso desses serviços com frequência. Ok, pode ser até que o gasto não incomode, mas que ela tenha necessidades intempestivas (com costura) e nem sempre encontra alguém com disponibilidade para atender, então saber costurar também traz autonomia.

Mas estamos falando de cartas e previsões. “Elx vai ligar para mim?”, “Serei aprovadx no concurso?”, “Paulo é confiável?”, “O que Suzana pensa de mim?”. Não há limite para as perguntas e aquele que procura um curso de Tarot (ou qualquer outro oráculo) talvez pense que terá uma vida de certezas. Eu não creio que esta seja a motivação correta. De verdade, pensar assim, a meu ver, é um grande engano. Acrescento que as cartas dizem o que você precisa ouvir, o que pode significar a indicação do caminho mais longo se essa for a experiência que irá lhe fortalecer.

Eu pouco tiro cartas para mim. Quando preciso mesmo (me refiro a algo que considero crucial), procuro a imparcialidade de alguém para me ajudar. As cartas não devem alimentar dependências, é verdade, mas jamais diria que não são úteis quando fazemos as perguntas certas, como “o que estou deixando de ver nessa questão?“, “qual a melhor atitude nesse momento?”, “onde estou pisando na bola?” e outras que sirvam mais ao aprimoramento pessoal do que ao ego.

Seja como for, todo curso de Tarot pode ser transformador, seja em um programa longo em que vivenciamos um arcano ou dois por semana ou quando entramos em contato com várias cartas ao longo de um dia. Muitas escolas iniciáticas usam as cartas do Tarot até hoje  como graus dentro de um processo de evolução espiritual e, mesmo que não façamos parte de uma delas, posso afirmar que realizar esta jornada do Louco ao Mundo e, depois, pelos quatro naipes, nos ensina muitas coisas a respeito da vida.

Tarot ou Lenormand (a.k.a. ‘Baralho Cigano)?

Lenormand | Zephyrus Tarot
Mlle. Lenormand’s L’Oracle and Appendix – O Navio

A pergunta soa tão polêmica quanto mamilos, mas não é. Não para mim, pelo menos. É muito comum que se tente comparar o Tarot com o Petit Lenormand e a resposta para esta questão é bem simples.

A dúvida surge, via de regra, por ignorância. Algumas pessoas acham que o Lenormand é um oráculo simples e dado a informações corriqueiras/mundanas enquanto o Tarot é mais profundo e espiritual. Eu costumo dizer que os adjetivos como “fofoqueiro”, “sofisticado”, “fatalista”, dentre outros, se aplicam mais ao oraculista do que ao oráculo. É o oraculista que interpreta os símbolos de acordo com o seu viés pessoal.

Uma vez eu assisti uma entrevista com Björn Meuris, um profissional belga do Lenormand, onde a tradutora, uma profissional (ou estudante, não lembro agora) do Tarot, fez a pergunta clássica sobre diferenças entre um e outro. A resposta dele foi muito mais elegante do que a minha, explicando que aquele que conhece bem os atributos das lâminas do Lenormand é capaz de responder qualquer tipo de pergunta com o detalhamento que a questão exige e o consulente é capaz de absorver – se ele não disse exatamente isso, foi nessa linha.

A pessoa que procura um cartomante tem um problema e precisa de respostas, correto? Então é isso o que importa – a resposta. Confie no profissional. A ferramenta que ele utiliza é algo secundário na maioria das vezes.

E quanto ao estudo? Aí é afinidade. Às vezes a gente se desenvolve em um e fica plenamente satisfeito. Às vezes faz curso dos dois e escolhe aquele com o qual se sente mais à vontade. Obviamente há quem trabalhe com esses e tantos outros sem qualquer stress e está tudo certo também.  O importante é ser feliz. :)

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  • Paula Vigínia

    oiê! cadÊ o teste?