Leitura

Parte I: Material

Da teoria para a prática, alguém que se propõe a consultar o Ogham precisa montar o seu kit básico, que consiste das 20 fedha, uma toalha e uma pequena sacola.

Toalha – A toalha é uma representação do espaço sagrado e o seu uso deve ser exclusivo para as práticas oraculares, ou seja, tudo bem que você use uma mesma toalha para Runas, Tarot, Ogham, … mas jamais use esta toalha para qualquer outra coisa, como forrar uma mesa para um lanche ou para secar as mãos, sei lá… O tecido pode ser o que mais lhe agradar, assim como a cor. Dê preferência à fibra natural. Eu não entendo muito do assunto, não sei dar nome aos diferentes tipos de tecido, mas é importante, entre outras coisas, que ele não fique marcado depois de desdobrado ou que seja muito leve, a ponto de desamurrar a mesa a qualquer esbarrão…

O tecido pode, ainda, ser liso, estampado ou trazer símbolos pintados sob encomenda. Na Internet você encontra vários sites voltados para o design celta com diferentes ilustrações.

Uma observação importante nesta história é que as fedha podem ser escolhidas uma-a-uma durante o jogo ou lançadas aleatoriamente, em conjunto sobre a toalha, de modo que talvez você ache mais interessante marcar na toalha áreas específicas que dêem um “colorido” ao Ogham que cair ali… Veja um exemplo do que me refiro na parte das técnicas de leitura.

Sacola – O uso de uma pequena sacola para acomodar as peças do Ogham, a exemplo das Runas, facilita o seus transporte e a seleção das fedha durante a leitura.

Green Man Tree Oracle
Green Man Tree Oracle

Ogham – Tradicionalmente o Ogham é confeccionado em madeira. Você pode confeccionar o seu ou comprar um kit pronto na Internet ou lojas especializadas.  Opcionalmente, temos algumas versões impressas deste oráculo, no formato de cartas, como o The Celtic Tree Oracle (usado nas páginas anteriores), e o Green Man Tree Oracle – ao lado.

Parte II: Técnicas de Leitura

Você tem várias opções para a consulta ao oráculo. A mais simples delas é usar as peças do Ogham como geralmente usamos as cartas do Tarot, ou seja, você estabelece antecipadamente quantas fedha vai selecionar e qual o atributo de cada seleção.

O exemplo mais comum é perguntar mentalmente ou em voz alta qual o Ogham que melhor descreve uma determinada situação, colocar a mão dentro sacola e escolher aleatoriamente uma fid. Do mesmo modo podemos escolher três fedha, uma representando o passado, outro o presente e mais um para o futuro provável de uma situação.

Precisa de um conselho sobre o que fazer? Basta selecionar mais uma fid… Se o seu jogo terá 5, 11 ou 24 fedha é uma questão de escolha. Você pode consultar alguns livros sobre Tarot para escolher entre diferentes jogos ou criar o seu, não importa.

A outra forma de se consultar o Ogham pode ser um pouco mais complicado e deve ser tentado na medida em que a sua interpretação for se tornando mais fluente. A exemplo da consulta aos Búzios, o intérprete deve colocar os 20 blocos nas mãos e as deixar cair sobre a toalha previamente marcada.

A leitura é feita de acordo com as peças presentes em cada área com um significado específico. Pode ser que um campo fique vazio, que outro tenha 3 fedha ou que uma fid caia na linha que divide duas áreas. Esteja preparado para tudo isso.

A Mandala Astrológica pode ser um bom modelo disso: use uma toalha com um círculo dividido em 12 partes iguais. O tipo de gráfico a ser utilizado fica a critério do seu conhecimento e criatividade (eu plastifiquei algumas mandalas e as uso sobre a toalha, de acordo com o meu objetivo, ao invés de confecionar várias toalhas, o que é mais trabalhoso).

No Ogham fica meio complicado estabelecer o que pode ser uma fid invertida sem uma referência complementar. Geralmente todo início de frase/linha apresenta uma seta (um “V” apontando para cima ou para a direita, conforme o sentido da flesc), o que ajuda a determinar a posição correta, caso contrário seria difícil reconhecer um Duir invertido de um Luis na sua posição normal, sem contar com o simétrico Ohn .

Edred Thorsson, no livro The Book of Ogham, sugere algumas opções de consulta mais ou menos sobre a mesma matriz:

Opção 1:

Centro – o momento presente; Sul – influências do passado distante; Oeste – influências do passado recente; Norte – influências do futuro imediato, Leste – o resultado final.

Opção 2:

Centro – aspecto geral da questão; Sul – a verdadeira raiz da questão; Oeste – estado mental/espiritual da questão; Norte – estado emocional da questão; Leste – o resultado final.

Opção 3:

Centro – aspecto geral da questão; Sul interno– a verdadeira raiz da questão; Oeste interno – influências do passado; Norte interno – influências do presente que moldam o futuro imediato; Leste interno – as influências futuras; Sul externo – medos com relação à questão; Oeste externo – familia e ambiente em que a questão está inserida; Norte externo – esperanças e objetivos; Leste externo – o resultado final.

Ainda aproveitando o mesmo layout, tenho a minha própria versão: o anel externo está associado às influências externas e ao mundo objetivo da direção em pauta; o anel interno está associado às influências emocionais/psicológicas e ao mundo subjetivo da direção em pauta; o centro representa o self, a essência, a síntese de todas as direções.

O Norte corresponde ao elemento Terra (plano material) e à Lua Nova (energias que estão por vir). O Leste corresponde ao elemento Ar (plano mental) e à Lua Crescente (energias em desenvolvimento). O Sul corresponde ao elemento Fogo (plano espiritual) e à Lua Cheia (energias no ápice da manifestação). O Oeste corresponde ao elemento Água (plano emocional) e à Lua Minguante (energias em declíneo).

Ainda com base nas Fases da Lua, podemos considerar ainda: Lua Crescente (L) – novos empreendimentos; esclarecimento de mal-entendidos; atividades que exijam desapego de situações e de relacionamentos obsoletos; tentativas de aprimoramento em todas as áreas da vida. Lua Cheia (S) – relacionamentos sociais; conscientização dos bloqueios, dos obstáculos e dos problemas; mudanças de residência e de hábitos antigos; comunicação de novas idéias e planos; atividades que exijam força de vontade e determinação. Lua Minguante (O) – planejamento de atividades e empreendimentos; término de trabalhos inacabados; solução criativa de problemas ligados ao passado; relacionamento com jovens, adolescentes e crianças; saúde. Lua Nova (N) – atividades cotidianas; atividades intelectuais; trabalhos que exijam espírito de cooperação; decisões relacionadas com compromissos sociais e amorosos; assuntos voltados ao bem comum.