Celtic Lenormand: Cartas Extras

O Celtic Lenormand é uma criação conjunta de Chloë McCrackenWill Worthington. Se eu não sabia da existência dela até então, sou fã do traço do Will há bastante tempo. Ele é o ilustrador de decks, como: The Green Man Tree Oracle, The Druid Animal Oracle, The Druid Craft Tarot, The Druid Plant Oracle, The Wildwood Tarot e The Camelot Oracle. A pegada celta está sempre presente.

A confecção deste trabalho, em especial, eu acompanhei desde o momento que cada lâmina foi apresentada e discutida no blog Celtic Lenormand. O Robert Place também tem feito isso com seus últimos oráculos, só que usando o Facebook. A iniciativa não apenas fomenta o interesse das pessoas como ajuda a construir algo coletivo a partir das sugestões que surgem logo depois de uma exposição. Sim, mudanças frequentemente ocorrem a partir dos comentários, assim como votações entre uma opção e outra.

O visual das cartas é muito agradável. Acho que é o Lenormand mais bonito que já vi. Olhando pelo computador, impliquei um pouco com o padrão utilizado para sinalizar o número das cartas, mas, com resultado final em mãos, isso não me incomodou de verdade. Resolvi escrever especialmente sobre as cartas extras porque são dignas de nota.

De modo geral, alguns baralhos têm duplicado as cartas do homem e da mulher (no Lenormand, lâminas 28 e 29) para contemplar leituras homoafetivas. Eu sempre sou chato com relação a isso porque não preciso saber qual a inclinação sexual do consulente, ainda que  surja uma pergunta que contemple relacionamentos. Se a pessoa não diz e eu não percebo, não me cabe perguntar para escolher a carta certa – imagina eu perguntando para um cara, “só para ter certeza”, se ele gosta de meninas ou de meninos… Não, isso não tem a menor razão de ser. Adoto a política de identidade de gênero: se atendo um homem, a contraparte (nas cartas) é a mulher, independente de preferências. Se atendo uma mulher, a contraparte (nas cartas) é um homem, na mesma condição. No caso de transsexuais, vale o que se apresenta diante de mim – ou melhor, como a pessoa se faz (deseja ser) reconhecida.

O Celtic Lenormand duplicou as cartas do Homem e da Mulher. Também criou um par para a carta 1 (Cavaleiro ou Mensageiro) e 13 (Criança). São lâminas opcionais, claro, mas que acrescentam nuances à leitura se você mantiver todas as possibilidades nas mãos – e isso é bem interessante.

E não parou aí: a exemplo do Burrning Serpent Oracle, outra variação do Lenormand, criado por Rachel Pollack e Robert Place, temos duas cartas da Árvore – no BSO não é carta extra, mas explico na hora certa. A Cobra também ganhou duas lâminas com atributos diferentes. No caso dos Pássaros, os autores não apenas adotaram as duas imagens clássicas, andorinhas (?) em alguns baralhos e corujas em outros, como adicionaram a carta das galinhas (!) ao deck.

Chega de introdução e vamos às elas:

As cartas extras do Celtic Lenormand

1. Cavaleiro (ou Mensageiro) + Amazona (ou Mensageira)

Celtic Lenormand 01
Celtic Lenormand 01

O significado geral da carta não muda: é um indicativo de movimento, de notícias (ou de soluções) que estão a caminho. Por conta do cavalo, pode fazer referência a um meio de transporte para pequenas distâncias (Navio 3 = longas distâncias).

Muitas vezes a carta de número 1 fala do amante, enquanto a carta 7 fala da amante. Como temos o par, talvez não seja necessária esta diferenciação, até porque também temos extras para o Homem e a Mulher e qualquer uma dessas cartas poderia indicar infidelidade, dependendo do contexto e combinação de cartas – muita calma nessa hora!

O Cavaleiro do Celtic Lenormand é mais eufórico e inquieto. O passo é ligeiro. Percorre pequenas distâncias, de vila em vila, trazendo mensagens pessoais ou instruções de uma instância superior. Da maneira como vejo, as informações são mais de ordem prática. Onde o Cavaleiro chega, causa um certo furor, seja pelo que ele tem a transmitir (a reação dependerá da natureza da mensagem, por vezes aguardada com alguma ansiedade) ou por conta do seu jeito extrovertido, galanteador e falastrão – neste caso, a indicação é de alguém que marca presença e anima o ambiente. Em jogo, pode alertar para que não se reaja a uma notícia (não dê uma resposta) rápido demais, independente se a ela é boa ou ruim. Tome um tempo para si ao invés de agir de forma impulsiva/ precipitada.

A Amazona do Celtic Lenormand é calma e centrada. Percorre distâncias maiores como elemento de aproximação/união entre as partes envolvidas. Pode ser portadora de notícias de pessoas queridas, como familiares, amores e amigos. Se por um lado as mensagens são mais ternas, também devemos considerar aqui orientações de ordem espiritual. Onde a Amazona chega, traz o conforto de notícias de quem está longe. Sua atitude é acolhedora. Ela é capaz de se relacionar bem com pessoas bem diferentes, nos lembrando sempre que o que precisamos saber pode vir de qualquer pessoa ou lugar, mesmo quando as ideologias destes não estão de acordo com o que pensamos . Em jogo, pode alertar para que o consulente não resista às mudanças que são necessárias no momento. Permaneça aberto à mensagem, reflita e faça o que é solicitado. Às vezes resistimos até mesmo ao que nos beneficia, seja porque não conseguimos ver isso ou por preguiça em sair da zona de conforto.

5. Carvalho (Oak) + Azevinho (Holly)

Celtic Lenormand 05
Celtic Lenormand 05

Com o número 5, o Celtic Lenormand nos apresenta o Carvalho e o Azevinho, duas árvores sagradas e que também estão, uma ao lado da outra, no Ogham. Dentro da tradição celta, o Carvalho é o rei da metade luminosa do ano (primavera e verão), enquanto o Azevinho reina a metade escura, período em que permanece verde e dá frutos mesmo sob condições rigorosas do inverno.

O significado geral da carta da Árvore, que é símbolo da força, da saúde e da alegria de viver, está mais alinhada com o Carvalho em uma condição de vigor sem impedimentos. As instruções falam de estabilidade, sabedoria, paciência, união de corpo-mente-espírito, ancestralidade, das coisas que levam tempo para acontecer e de tudo que é forte e durável.

Os autores focaram muito em saúde e ensinam que a carta do Carvalho representa a conexão com diferentes planos de existência, de modo que, para manter o equilíbrio e alcançar o verdadeiro estado de saúde, precisamos respeitar a nós mesmos e a espiritualidade.

Gostaria de destacar que “saúde”, para a OMS (Organização Mundial de Saúde), é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”. Sendo assim, cabe olhar para a carta de forma ampla: se você sofre porque ninguém te entende, por falta de dinheiro, falta de segurança, falta de dignidade, falta de oportunidades de desenvolvimento, por causa de um relacionamento problemático (ou uma sequência deles), por causa de um ambiente hostil… blá-blá-blá, você está doente – estamos todos.

Apesar de recomendar paciência, o Carvalho alerta que aguardar sem fazer nada também não é resposta. Não se trata, em momento algum, de aguardar para ver as coisas se acertarem sozinhas.

Eu acrescentaria ao Carvalho os atributos da determinação e da coragem. Por ter raízes tão profundas quanto a sua altura (e os carvalhos podem ser altos para danar), reflita sobre as verdadeiras motivações por trás de cada ação ou escolha, pois algumas podem estar em camadas bem inconscientes. A Árvore, no Lenormand, não fala disso, mas não dá para ignorar que o Carvalho é uma árvore de proteção.

Outra particularidade: para os celtas, o nome é duir, que significa “porta”. Dependendo do contexto, podemos falar da porta que se abre (ou fecha) para novas oportunidades ou a porta que dá acesso a outras dimensões. Um característica muito conhecida do Carvalho é sua capacidade de atrair raios, por isso ele está associado a deuses como Zeus e Thor. Podemos entender “atrair raios”, dependendo do contexto, como atrair a atenção dos outros, principalmente de gente poderosa. Se isso é bom ou ruim cabe ver no posicionamento da carta, até porque o consulente pode estar “pagando o pato” (numa condição negativa) por algo que não fez.

The Burning Serpent Oracle
The Burning Serpent Oracle

Com relação ao Azevinho, surgem, de imediato, as palavras-chave estagnação e hibernação. Estamos no inverno. No Burning Serpent temos a Árvore Morta (Dead Tree) substituindo a carta do Caixão (8). Não é o caso aqui, afinal, trata-se do Azevinho. Enquanto tudo parece morto ao redor, ele se mantem firme, sendo um símbolo de tenacidade.

A carta indica que você pode se estabelecer (fincar raízes), mesmo que as circunstâncias não pareçam favoráveis. Por sempre evidenciar a saúde, o oráculo pede cuidados redobrados. A hibernação, que não deve ser levada ao pé da letra, entra como recomendação tanto para poupar energia quanto para olhar mais para dentro. Se não há o que fazer agora (porque as condições não permitem), prepare-se para quando for a hora certa.

Ao contrário do Carvalho, o Azevinho protege as construções de raios porque os repele. A madeira era usada nas soleiras das portas com o intuito de banir feitiçaria. Considere também aqui o atributo da proteção que falei no Carvalho. Não sei o quanto é correto afirmar isso, mas, entre a proteção do Carvalho e a  proteção do Azevinho, diria que a primeira está mais associada às coisas tangíveis e situações do mundo natural, enquanto, a segunda, às forças sutis e as dimensões sobrenaturais.

7. Cobra em postura de ataque (Snake – Fierce) + Cobra trocando de pele (Snake – Shedding)

Celtic Lenormand 07
Celtic Lenormand 07

Adotei uma tradução livre nos títulos, mas deixei o original como referência. Fiquei sem saber como simplificar shedding para que fosse algo tão objetivo quanto fierce. Aceito sugestões.

Para a Snake – Fierce temos os indicativos tradicionais de traição, sedução, mentiras, falsidades, sarcasmo, agressividade e tentação. Apesar das cobras terem o hábito de se esconder na grama ou sob pedras, a ilustração mostra uma realmente pronta para dar o bote. Seguindo a tradição, a cobra (Rainha de Paus) também é definida como “a outra mulher” (amante).

Quando se trata de um ataque direcionado para o consulente, ele deve estar preparado e ser duplamente cuidadoso (usando o masculino de forma genérica), primeiro porque se a cobra for venenosa, existe um desdobramento da mordida inicial – nunca subestime o inimigo. A outra coisa é que o ataque pode ser, na verdade, uma armadilha: você é atraído/seduzido para uma situação de perigo sem perceber.

Quando o próprio consulente é identificado como a cobra, ele precisa estar atento para ser firme diante de uma ameaça, quer atacando com inteligência ou colocando limites muito bem definidos, sem titubear. Segurança, precisão e timing são importantes.

Shedding é um movimento de abandono. A gente fala em troca de pele, mas a palavra se refere a deixar algo (velho) para trás. A cobra, inclusive, se direciona para o fundo da carta. As palavras-chave são transformação, ciclos e renovação. A Snake – Shedding descreve alguém que mudou ou está mudando, que encontrou a cura através da renovação. Se a carta fala de outra pessoa, talvez ela tenha desistido ou perdido o interesse. Caso a Cobra seja o próprio consulente, talvez seja necessário perder algo ou parte de si mesmo, mas tendo sempre em mente que é algo que não lhe serve mais.

12. Pássaros + Galinhas + Corujas

Celtic Lenormand 12
Celtic Lenormand 12

A princípio, as três lâminas trazem as mesmas palavras-chave, que giram em torno de conversas, tais como: negociação, entrevista, fofoca, discussão, contato telefônico (atualmente, tudo o que eu celular faz) etc. Os autores falam de “conversa nervosa” e eu vejo gente falando demais, muitas pessoas falando ao mesmo tempo, conversas sem sentido e falta de entendimento por qualquer motivo, o que pode gerar brigas desnecessárias ou equívocos no cumprimento de alguma instrução. Até aqui, nada de diferente.

Não entendi muito bem o atributo healing voice, num primeiro momento, mas o texto fala do poder curativo de verbalizar algo que incomoda. Ressalta também o poder relaxante da música. Isso para mim é novidade e está diretamente ligado à carta dos Pássaros. Um dos conselhos quando a lâmina aparece é exatamente este: converse com alguém sobre o assunto. A própria experiência de se ouvir pode trazer clareza em alguns pontos. Ouvir o que o outro tem para dizer, também.

As Galinhas focam no coletivo, destacando como os membros de um grupo dão suporte uns para os outros ou, no caminho contrário, como a fofoca como algo que corrói as relações humanas. Eu gosto da expressão “conversas insalubres” e ela se encaixa bem aqui. Se a carta aparece no jogo, muito cuidado não apenas com o que você fala, mas também com o que você ouve. O conceito é abrangente, mas vou me pautar em dois pontos: a gente se defende muitas vezes alegando “eu não abri a boca”, mas, se parou para ouvir (abriu os ouvidos), é conivente com a situação. Outra coisa é que refletir sobre quanto o disse-me-disse de um grupo contamina as suas convicções, principalmente se cultiva o medo.

As Corujas, por fim, exaltam as palavras de sabedoria, quer o consulente as pronuncie quando solicitado (deixe o nervosismo de lado e fale o que você sabe), quer as procure em um mestre ou uma pessoa mais experiente/vivida quando uma orientação se faz necessária.

Eu nunca descarto que Corujas são animais noturnos e enxergam o que ninguém mais vê. Então elas não apenas podem trazer tanto a resposta para um problema quanto uma revelação inesperada. Corujas também falam de intuição e clarividência, de modo que estas “conversas” podem ter um caráter espiritual, seja com seres de outros planos ou ouvindo (se abrindo para) a sua sabedoria interior. “Esteja atento a tudo ao seu redor”, elas diriam. No Druid Animal Oracle, ilustrado pelo Worthington, a carta da Coruja fala sobre a habilidade (a sabedoria) em transformar uma desvantagem em vantagem.

Por representar o aspecto Anciã da Mãe, eu fiquei aqui pensando em Statler e Waldorf, dois personagens dos Muppets que assistem todos os programas do balcão VIP e fazem sempre comentários ácidos sobre cada quadro. Esta seria uma visão negativa da carta, uma atitude implicante e mal-humorada com relação à vida – e eu aqui inventando moda. :)

Statler e Waldorf
Statler e Waldorf

13. Menino + Menina

Celtic Lenormand 13
Celtic Lenormand 13

As duas cartas falam de começos, de inocência, curiosidade, honestidade e receptividade. São duas crianças e a mensagem pode ser bem literal, envolvendo um menino ou uma menina.

Mas a carta da Menina traz uma garota realizando pequenas tarefas domésticas. Neste caso, não importa a idade ou o gênero, o oráculo fala de uma fase de aprendizado, onde começamos pelas coisas simples e, pouco a pouco, assumimos maiores responsabilidades. Os autores falam sobre ser receptivo, honesto e sincero. Caso cometa um erro, assuma sem medo. Esta é uma carta de oportunidades, sim, mas que devem ser conduzidas com leveza. Descubra formas divertidas de alcançar seus objetivos, recomendam.

A Menina trabalha, o Menino brinca. A batalha que ele trava está toda na sua cabeça. É a imagem da inocência. Inocente significa “sem culpa”. Não encontramos aqui crenças ou condicionamentos limitadores. Com alegria, como se a vida fosse um grande jogo, ele enxerga o potencial de todas as coisas. Nada é impossível até a experiência comprove o contrário (“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez” – TWAIN, Mark). Não se trata, contudo, de uma atitude irresponsável ou de risco, apenas uma forma aberta de encarar a vida, com menos medos e julgamentos com relação a si mesmo.

18. Cão+ Gato

Celtic Lenormand 18
Celtic Lenormand 18

Em algumas Sibilas o Gato é uma carta de falsidade. As pessoas que gostam de gatos, como eu, ficam zangadas com isso. Cão e Gato, no Celtic Lenormand, são aliados. O que muda de um para outro é a atitude. Quando aparecem no jogo, falam de pessoas que irão dar apoio ou com quem se pode contar.

O Cão, como sabemos, é dependente e submisso. A carta é indicadora de uma amizade duradora e fiel, mas não podemos perder de vista que alguém que sempre concorda (por não querer aborrecer o outro ou por não ser imparcial) nem sempre é a pessoa ideal para ter ao lado. O verdadeiro amigo é aquele que, por vezes, não nos poupa de palavras duras. Os autores também trazem algo sobre reconhecer a centelha divina em todas as pessoas e refletir com que respeito tratamos aqueles que cercam – achei forçado isso, mas quem sou eu para dizer algo.

Druid Animal Oracle
Druid Animal Oracle

O Gato, por outro lado, é um ser independente. Se o Cão gosta sempre de companhia, o Gato por vezes se isola – e isso não quer dizer que goste menos de você. Ele só precisa deste tempo e no seguinte poderá fazer de tudo para chamar a sua atenção – a gente nunca sabe. Quando algo o incomoda, não tentará disfarçar. São leais, mas não alimentam uma devoção cega por ninguém.

Quando se trata do tema espiritualidade, pode recomendar ao consulente uma perspectiva pessoal independente de dogmas. Eu, particularmente, tomaria cuidado com este conselho, pois muitos fazem uma salada danada por falta de compromisso ou por preguiça em se aprofundar no conhecimento espiritual. Consideraria aqui não conduzir as coisas de forma rotineira e robótica. Procure estar presente no que faz e, caso sinta que deva executar de forma diferente, siga a sua intuição. Ouça o que é dito, mas podere como se sente a respeito sem rejeitar de imediato aquilo que vai contra os seus interesses, mas também sem aceitar qualquer coisa só porque foi fulano (preencha com o nome do mestre que desejar) quem disse.

Outra dica com relação a amizades no geral, é prestar respeitar os seus instintos. Cães tendem a ser sociáveis com todos. Gatos, não. Talvez percebam algo a mais em uma esfera sutil. Não é como se você fosse um incrível (e infalível) radar da integridade humana, mas caso sinta algum desconforto com alguém (e não precisa ser no primeiro contato), apenas fique atento até ter certeza se é uma cisma ou um alerta.

No Druid Animal Oracle também temos as cartas do Cão e do Gato. O Cão repete o discurso de fidelidade e alguém que te acompanha nos momentos difíceis. A carta do Gato, no entanto, fala sobre observar serenamente uma situação sem julgamentos antes de tomar uma decisão. Considero uma boa dica, sempre respeitando o contexto do jogo e a caída das cartas.

28. Senhor (Lord) + Homem
29. Senhora (Lady) + Mulher

Celtic Lenormand 28
Celtic Lenormand 28

O significado geral da carta não muda, seja 28 (Homem) ou 29 (Mulher). O Lenormand tradicional é literal, sem atribuir outras características. Na Mesa Real, por exemplo, a leitura é feita a partir da carta que represente o/a consulente, sendo a outra carta o seu par.

Celtic Lenormand faz distinções a partir das ilustrações que caracterizam duas posições sociais diferentes, por exemplo. O Lord é um guerreiro, um líder, alguém que assume a frente das situações. Suas decisões são estratégicas, racionais. Ele não tem medo de assumir riscos e se responsabiliza por seus atos. De modo geral, tem uma visão ampla da situação e foca no que lhe parece importante, talvez pensando mais a médio e longo prazo.

O Homem, neste baralho, é um trabalhador. É alguém mais pés no chão e que analisa o aspecto prático das coisas. O que interessa é o aqui-agora. É curioso que apenas para esta carta os autores levantem a possibilidade de que a dedicação exacerbada ao trabalho ser uma forma de fugir de questões emocionais.

Eu vejo um homem simples e um homem mais elaborado. Podemos tomar por “simples” várias coisas, como experiência de vida, formação e condição financeira. Se isso conta contra ou a favor é outra história. O Senhor pode ser alguém rico, culto e sofisticado ou apenas um sujeito arrogante. Acredito que em algumas situações as duas cartas venham como conselho no sentido de um assumir o outro: o Lord precisa olhar as coisas sem ter tantas certezas, por exemplo. É como o presidente de uma empresa que se disfarça e vive um dia de operário para saber como são as coisas de verdade. O Homem, por sua vez, talvez precise pensar grande, ser um pouco mais atrevido e tomar as rédeas de uma situação que parece correr sem controle.

Celtic Lenormand 29
Celtic Lenormand 29

A Lady é uma mulher independente em uma posição de liderança, a mãe que luta pelos seus filhos, aquela que assume a responsabilidade por outras pessoas e/ou zela pelo bem estar de um grupo.  Os autores destacam também a sua inclinação espiritual e uma intuição sempre presente.

A Mulher, aqui, fala de uma pessoa criativa e conectada com a natureza. Sua criatividade é canalizada para trazer o bem estar das pessoas – fiquei pensando como isso faria sentido em uma leitura. Faz mais o gênero “recadada e do lar”, enquanto a Senhora pode ter interesse em uma carreira. Os autores chamam  a atenção para uma possibilidade ruim e eu acrescento outra: a primeira é a de cuidar do outro ao ponto de sufocá-lo. A segunda é a de se dedicar muito ao(s) outro(s) esquecendo de si mesma.

Usando o Tarot como referência, vejo a Senhora como uma Rainha de Paus ou de Espadas, assim como a Mulher reflete uma Rainha de Ouros ou Copas. A primeira tem uma energia yang acentuada. Em alguns casos, a sua autonomia e até mesmo arrogância podem tornar as situações difíceis. Talvez precise temperar a sua atitude com os atributos da Mulher. Por outro lado, a Mulher pode aparecer no jogo indicando um comportamento por demais condescendente, precisando marcar posição como a Lady faz com destreza.

Até este momento só identifiquei estas cartas como gêneros. Ainda não tive situações que pudessem apontar mais claramente para os atributos de personalidade, mas isto não significa que não venham a aparecer.

ceçtic heart

Celtic Lenormand é facilmente encontrado nas principais lojas virtuais brasileiras de venda de baralhos importados. Encomende o seu e aproveite.

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Marcelo Bueno é cartomante com especialização no Tarot. Além de editor do Zephyrus Tarot, promove cursos, workshops e atendimentos com este oráculo.