A Raposa – Dia do Baralho Lenormand

Um grupo brasileiro  instituiu o dia 25 de junho como o “Dia do Baralho Lenormand”, data de falecimento de Marie Anne Adelaide Lenormand (1772–1843), a quem se atribui (erroneamente, sabemos hoje) a criação desse oráculo.

Estou longe de ser um especialista no assunto e deixo a bola para quem realmente possui um vocabulário rico junto às 36 imagens deste baralho e suas combinações, como é o caso de Alexsander Lepletier, Karla Souza e outros amigos.

Pediram para que os cartomantes de plantão participassem com textos, vídeos e imagens. Publico aqui a minha colaboração com uma referência à carta da Raposa (14).

Sim, eu sei que ela é uma carta de trapaças, mas sempre tive uma enorme simpatia pelo animal, tanto pela estética elegante quanto pela influência do folclore japonês, onde as kitsunes podem ser zenko (benevolentes) ou yako (maldosas). Em qualquer um dos casos, trata-se de seres inteligentes e com capacidades mágicas que aumentam com a sua idade e sabedoria.

Tenho lido em alguns lugares a Raposa como significador de carreira profissional. Até entendo que o mundo corporativo é pouco confiável na maioria das vezes, mas é quase como oficializar um padrão ardiloso de comportamento. Mesmo quando se fala de ‘astúcia’ é importante ter um conhecimento básico do dicionário para saber que a palavra se refere, prioritariamente, à  habilidade de enganar os outros, o que não deveria ser encarado como algo a ser cultivado.

E se para muitos a Raposa é uma carta ‘negativa’, defendo a mesma tese que uso no Tarot de que não existem cartas ‘boas’ e cartas ‘ruins’ – tudo é uma questão de contexto. Em alguns casos, a Raposa surge como conselheira, pedindo para que se haja com estratégia e, muitas vezes, se evite chamar a atenção para si, da mesma forma com que uma raposa passa despercebida rondando o galinheiro.

Medicine Cards

Escrever sobre  isso, por sinal, despertou a lembrança que no baralho Medicine Cards, a Raposa traz como atributo justamente a invisibilidade. A capacidade de confundir-se com o ambiente e tomar-se, desta forma, imperceptível aos demais é um dom precioso quando pretendemos observar minuciosamente um ambiente/situação sem sermos percebidos e sem incomodar os outros antes de optar, com segurança, por uma ação adequada. Ao antecipar facilmente a aproximação do perigo, por exemplo, ela sabe precisamente o que fazer para se defender.

Citando Maquiavel, “tendo o príncipe necessidade de saber usar bem a natureza do animal, deve escolher a raposa e o leão, pois o leão não sabe se defender das armadilhas e a raposa não sabe se defender da força bruta dos lobos. Portanto é preciso ser raposa, para conhecer as armadilhas e leão, para aterrorizar os lobos”.

Não estou aqui inventando moda, mas como foi dito no II Encontro Carioca de Baralho Cigano, as leituras se tornam mais ricas na medida em que ampliamos o nosso repertório.

Boas lenormandices para todos!

#journeelenormand

 

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Marcelo Bueno é cartomante com especialização no Tarot. Além de editor do Zephyrus Tarot, promove cursos, workshops e atendimentos com este oráculo.