A Estrela: buscai, e encontrareis

O Carro - The Sevenfold Tarot
O Carro – The Sevenfold Tarot

Continuo a escrever sobre a Estrela. Se caiu aqui direto, dê uma olhada na parte 1 antes.

Meta e Propósito

Gosto da imagem do Carro, no Tarot of the Sevenfold, onde uma estrela parece guiar a jovem. Por muito tempo as estrelas serviram para orientar viajantes por terra e por mar. Astrolábios, sextantes, balestilhas e o conhecimento dos céus garantiam o ir e vir de comerciantes, peregrinos e quem quer que precisasse fazer longos deslocamentos à noite. Um exemplo bem clichê é a Estrela de Belém, que guiou os três Reis Magos até Jesus. O outro, claro, é a antológica cena de Peter Pan: “Vire na segunda estrela à direita e siga em frente até o amanhecer”.

Neste sentido, podemos interpretar a carta de duas formas: a primeira é que ela marca o seu destino (a direção que você deve tomar) dentro de uma perspectiva realmente espiritual (mesmo que o assunto não seja desta ordem).

Alguém talvez pergunte: “você se refere ao karma da pessoa?”. Hummm… pode ser, mas lembrando sempre, como já expliquei em outro texto, que karma é tudo: você é rico por causa do seu karma, você está  doente por causa do seu karma, você casou com A (e não com B) porque era o seu karma – e isso pode ter sido bom ou ruim, dependendo do caso. Achar que karma só se refere a algo ruim (uma punição) é filosofia rasa de almanaque (justificar situações absurdas também, mas aí a conversa fica longa).

Esta estrela-guia está, de certa forma, conectada ao que os judeus chamam de neshamá, que é o aspecto mais elevado da alma. Ela é, por assim dizer, a melhor versão de você mesmo, além de ter clara ciência do seu propósito nesta existência. Estar em contato com a neshamá é ter um “GPS cósmico” (e tem a ver com o que escrevi sobre sinais no post anterior), sendo que você passa pelo que tem que passar. Por vezes, experiências dolorosas têm o seu valor e não podem ser evitadas.

A segunda abordagem é bem prática. Você pode estar no momento certo de fazer uma avaliação mais completa da sua atual existência através de uma roda da vida, por exemplo, ou ter um objetivo claro em mente, não importa. Estou falando de planejamento e todo planejamento é baseado em um tripé: 1. onde você está, 2. para onde deseja ir e 3. como chegar lá.

O sonho da sua vida é conhecer Paris. Qual a melhor época do ano para ir? Dá para programar as férias do trabalho nesta época? Quanto custa a passagem? Você tem este dinheiro ou precisa juntar? Se precisa juntar, precisa reservar quanto por mês? Onde vai ficar? Quanto de dinheiro precisa para conhecer a cidade? Fala algum outro idioma? Tem tempo para aprender? As perguntas seguem…

Talvez o seu objetivo seja conseguir um emprego (melhor), ter um filho, viver uma relação saudável, melhorar a sua qualidade de vida, desenvolver uma atividade espiritual, mudar de cidade, perder peso… Seja como for, monte o tripé considerando todas as variáveis (ameaças, oportunidades, recursos, tempo, etc.) e trabalhe firme nisso.

“Ah, Marcelo, você está falando de coaching”. O termo está em alta, eu sei, mas o planejamento sempre existiu. A atividade de coaching não existe sem planejamento. Talvez valha sugerir um programa de coaching ao cliente, se a situação realmente pedir isso, mas não mande essa por modinha.

 

"Esperança não é uma estratégia"
“Esperança não é uma estratégia”

Quando falo para alguns clientes sobre ter em mente o que realmente desejam para estabelecer um plano, alguns acham que estou sugerindo algum tipo de mágica ou exercício de pensamento positivo. Perguntam o que fazer depois com a sua “lista de desejos”: se é para ler sempre “para fixar”, se isso é feito em alguma lua, em especial, e coisas nesta linha. Não. Estabeleça metas claras e viáveis, monitore suas realizações regularmente no meio do caminho e garanta que está evoluindo na direção certa. Ajustes de rota (17 = 8) são comuns e, muitas vezes, a sensação é de estar trocando o pneu com o carro em movimento, mas é isso mesmo, não se assuste. Tudo muda e o seu plano, muitas vezes, precisa ser revisto/adaptado.

Talvez fique mais fácil entender agora a minha crítica com relação à “esperança”. “Quem espera sempre alcança” é uma daquelas frases que devem ser eliminadas do seu vocabulário. Quem espera continua esperando, a não ser que a espera faça parte do processo, como levar o pão de queijo ao forno e esperar 15 minutos para que asse.

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á” – Mateus 7:7-8.

É bíblico:  aquele que busca, encontra. Tem ação aí. Se você não bater na porta, ninguém vai saber que você está do lado de fora querendo entrar. Voltando a falar da carta, pergunte ao seu cliente “o que você quer da sua vida?” ou “qual seria a condição ideal dentro deste campo de experiência?”. “Você tem um plano para isso?”. Se ele disser “sim”, ótimo, pergunte como está indo. Se disser “não”, elabore melhor a questão para que ele construa um.

Fertilidade

Tornillo Tarot
Tornillo Tarot

Aquário é uma das constelações com o maior número de estrelas. Para os gregos, cita-se o mito de Ganimedes, mas em diferentes culturas o portador da água tem outros nomes, histórias e atributos. Para os egípcios, é o deus Khnum, responsável pelas inundações anuais do Nilo que fertilizavam os campos no momento em que a constelação era (e ainda é) vista no zênite.

Não se trata da fertilidade da Imperatriz, que está grávida e rege as plantações, mas (um ou dois passos para trás), das condições favoráveis que permitiram que isso acontecesse. A terra seca é estéril. Precisa de água para que a vida se faça presente. O Arcano XVII cumpre este papel. Em uma leitura, o cliente tem ou terá os recursos que necessita para desenvolver o que deseja (desenvolver, não esperar). A vida flui para a abundância, se houver o esforço necessário para isso.

Na astrologia judaica, a constelação Deli (“balde” ou “ânfora”), corresponde ao mês de Shevat, quando temos, na lua cheia, a celebração do ano novo do reino vegetal (Tu B’Shevat). A água, dentro de uma visão espiritual, é uma expressão da Luz Divina. Quando pensamos na ânfora, Deli, temos um recipiente adequado para armazenar (e compartilhar) essa Luz. Estar receptivo é a chave, lembre-se disso. Que o seu balde não esteja furado para não perder a água. Que não tenha tampa, de modo a não permitir o preenchimento.

Com as letras de hebraicas de Deli (דְּלִי) também formamos yeled (“dar à luz”) e yoled (“criança”), de modo que tudo nos leva à tal condição de fertilidade que citei antes. A tribo de Shevat é Asher, cujo estandarte traz a imagem de uma oliveira. “Bendito em teus filhos seja Asher! Seja querido de seus irmãos, e molhe em azeite o seu pé. A sua terra está fechada com montes de onde se extrai ferro e cobre; como os dias da sua mocidade sejam os dias da sua velhice” (Devarim – Deuteronômio 33:24-25). Na bênção de Moshé, a promessa da fartura. A tribo de Asher não só era responsável pelo fornecimento de azeite e outros alimentos para todas as demais tribos como se tornou uma das mais numerosas de Israel. Há outros códigos, mas estes bastam, por enquanto.

Generosidade, amor e medo

A água jorra sem cessar das ânforas que a jovem carrega. Tenho esta imagem também como um processo de purificação, especialmente a purificação pelas águas. Situações, sentimentos, pessoas, energias, etc. devem seguir seu rumo, em direção ao mar. Mas quero enfatizar a questão da generosidade, pois o ato, em si, é de pura doação.

Mage The Awakening Tarot
Mage The Awakening Tarot

Já escrevi sobre medo (a ausência dele) antes quando fiz referência ao fato dela estar sozinha executando esta tarefa à noite na beira do rio. Volto a falar de medo, mas agora antagonizando com amor. “Como assim?”, você pergunta. Pois então, dentro de alguns ensinamentos espiritualistas é dito que o contrário de amor não é ódio, mas medo.

“Como assim?”, você repete. Veja, amor é pura abundância e desprendimento. É sempre uma energia de expansão. Trata-se de uma condição de “quanto mais você dá, mais você tem”. Empoderado pelo amor, a vida irá sempre suprir  suas necessidades. Se por algum momento a jovem duvidasse que a água fosse continuar jorrando, talvez parasse ou controlasse o quanto verte para garantir a sua própria reserva. Isso é medo. Ele se faz presente em todo sentimento/pensamento de escassez, sendo que a Estrela, como já vimos, evoca a fartura.

O let it go encontra, justo aí, o seu ponto de resistência: “o relacionamento é péssimo, mas prefiro isso a ficar só”, “o relacionamento é péssimo. Vou ao cartomante para saber se, descartando ele(a), encontro logo outra pessoa”. Descrevo essa situação, em especial, como o “passeio do Tarzan”: a pessoa só larga de um cipó se tem outro na mão. E vale para tudo mais onde somos mesquinhos, como não ajudar alguém no trabalho temendo que esta pessoa se destaque mais do que você, só para dar outro exemplo.

Respeitando o contexto, o jogo e a posição da carta, observe como a Estrela descreve a capacidade de doação do cliente e o quanto isso interfere na situação. No outro dia, assistia um episódio do Masterchef Austrália. Os competidores preparavam um jantar para o Dalai Lama. Uma das participantes ficou muito nervosa e errou o prato. Outra (que estava com a vida resolvida) se juntou a ela e ajudou a salvar a situação, tentando extrair o melhor daquela receita. Ao ser questionada, justificou que era um jantar para o Dalai Lama e o espírito deveria ser de compartilhamento, não de competição. Como a vida às vezes recompensa, justo esta menina, Dani, ganhou a prova. :)

Para que o meu discurso não seja distorcido, tenha o bom senso: você só pode compartilhar aquilo que tem. A Dani não deixou o prato dela para salvar a Ellie. Qualquer coisa fora disso nos joga para condições de esvaziamento e sacrifício, melhor representadas pelo Pendurado e pela Lua.

Isso apareceu agora na minha timeline e vou acatar como sincronicidade: ;)

O que é o amor?

Amor é quando você perde um dente mas não tem medo de sorrir porque você sabe que os seus amigos vão te amar mesmo que esteja faltando uma parte sua. (Rebeca – 5 anos) <3

Conexão

Existe um aspecto que já foi bem batido nas duas partes do texto, sobre se manter em sintonia com as forças superiores. Quer você acredite em deuses, avatares, anjos ou santos, tenha a certeza de não estar desamparado. Este é um ponto. E estar conectado é uma ação constante. Reze regularmente, agradeça sempre. Não seja como aquele amigo chato que só aparece quando precisa de ajuda.

O outro ponto é que, na qualidade de “aguadeira”, considero a jovem como um veículo da Luz Espiritual. Em especial, a considero muito no papel de oraculista: alguém que traz as mensagens de um plano para outro. No campo da espiritualidade, considero outras formas de canalização também através desta lâmina, incluindo técnicas como o Reiki e a Cura Prânica, assim como a “transmissão de boca para ouvido” – os ensinamentos orais passados de forma particular, de geração para geração.

Sorte

Por último (eu até pensei em fazer uma comparação entre Temperança e Estrela, mas deixo para outra ocasião), um comentário estritamente pessoal. Não que vá tocar em algo dissociado de tudo do que já foi apresentado, mas porque sigo por caminhos “meus”.

Zephyrus Otyiot D'bar
Zephyrus Otyiot D’bar

A lâmina traz o número 17 e esta é a gematria (valor numérico) da palavra hebraica tov, que significa “bom”. Ocorre que tov não designa algo meramente bom, mas preenchido pela Shechiná, que é uma expressão de D’us em Malchut, o plano físico em que vivemos. Interprete isso como uma pessoa, objeto ou situação que possui uma natureza elevada ou surge como uma bênção.

A palavra tov está associada à letra Tet. Quem fez o Alef-Beit do Tarot comigo conhece o enredo: Tet ressalta a bondade que existe em tudo, a proteção e a bem-aventurança. Sonhar com a letra Tet, por exemplo, é sinal de que algo muito positivo está para acontecer ou que algo que se encontrava oculto será revelado (percebe as correlações?).

Quer trazer um pouco de Estrela para a sua vida, use o óleo essencial de olíbano. Se tiver a oportunidade de usar olíbano e rosa, melhor ainda, mas rosa é um óleo muito caro. Coloque em um aromatizador de ambiente ou pingue no seu aromatizador pessoal. Use enquanto medita, reza ou realiza uma consulta oracular. São óleos que trabalham bem a abertura do coronário e do cardíaco, o que me faz lembrar de outra recomendação: a meditação dos corações gêmeos. Procure um grupo ligado ao Pranic Healing Institute em sua cidade (só conheço aqui no Rio de Janeiro, mas há centros em quase todo o Brasil com práticas semanais).

Que a Estrela te guie e ampare, hoje e sempre!

Possam todos se beneficiar.

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About Marcelo Bueno 86 Articles
Marcelo Bueno é cartomante com especialização no Tarot. Além de editor do Zephyrus Tarot, promove cursos, workshops e atendimentos com este oráculo.
  • Faixa bônus

    Este artigo apareceu por aqui e achei que era um bom complemento para entender o que é estratégia: Sua estratégia não é uma lista de tarefas – https://endeavor.org.br/estrategia-lista-tarefas/

  • Flavia Carvão

    muito bom …gostei

  • Bruno Bazzoli

    Caprichou nesse post em duas partes, hein! Parabéns! Ajudou bastante!