Leão, Leão, Leão: És o Rei da Criação


Continuo escrevendo sobre o Arcano 11 do Tarot e a virtude atribuída a ele, a Fortaleza. {imagem: Morgan-Greer Tarot}

Esta é uma carta com dois elementos: a dama e o leão, logo, para entender o papel de um é preciso entender o papel do outro.

Por ocupar o topo da cadeia alimentar – exceto pelo homem, obviamente – o leão é considerado o rei entre os animais. Este título de nobreza lhe confere, simbolicamente, atributos como liderança, força física, determinação, coragem e orgulho, entre outras coisas. Astrologicamente, o signo de Leão é regido pelo Astro-Rei, o Sol, e traz consigo a paixão, a generosidade, a lealdade e uma forte presença onde quer que se apresente.

Quando o leão é agregado à imagem da Fortaleza, ele é o aliado que impõe respeito e compartilha sua bravura para enfrentar qualquer ameaça de peito aberto e cabeça erguida.

Ao ser domado na carta da Força, passa a representar as forças instintivas que precisam estar sempre sob controle, o que é bem diferente. Arthur Edward Waite se apropria de valores alquímicos e colore o seu leão de vermelho, que representa a combinação do Enxofre (vitalidade) e do Mercúrio (vontade) ou, em outras palavras, a natureza animal que aspira o esclarecimento.

Os outros dois leões alquímicos são o verde, representando seu aspecto bruto, e o velho, que representa a consciência desperta e perfeitamente integrada ao Ser. O leão vermelho, portanto, é ponto-médio entre as duas coisas.

O orgulho é um dos aspectos negativos do leão e na Cura Prânica ele se aloja no chakra laríngeo. É dito que quando uma pessoa morre, a última coisa a deixar o seu corpo é o orgulho. Orgulho e vaidade são expressões do Ego. O próprio leão é, por si só, visto como uma representação do Ego – a noção que temos de nós mesmos como indivíduos – e o desejo de reconhecimento. Em todo e qualquer tratamento, limpamos bem esta região para remover os bloqueios gerados pelo orgulho e prejudicam a consciência do Eu Autêntico.

Em uma abordagem teológica, a Fortaleza é o empenho pela realização do Bem, ou seja, o esforço empreendido para não se deixar inflenciar pelo que os judeus chamam de yetzer hara, a “má inclinação”, que é tanto o impulso centrado na autogratificação independente de como isso afeta o outro (paixões e desejos inadequados) como a necessidade de satisfação desmedida e imediata. {imagem: Masonic Tarot}

Neste sentido, encontramos na carta da Força o reconhecimento e respeito com relação a esta força primária (escrevo mais sobre isso à frente) para que ela seja corretamente educada e direcionada para um propósito superior, lembrando que positividade e negatividade, como se diz no Pathwork, não são dois aspectos de energia e consciência, mas uma única e mesma energia.

Um bom exemplo disso tudo é graficamente expresso na lâmina do Masonic Tarot, onde a dama é também uma coluna, resgatando os valores da Fortaleza e traz os 7 chakras à mostra, indicando que a força ígnea do leão sobe até a coroa como kundalini, trazendo vitalidade e expansão da consciência.

A maratona da Força continua em mais um post.

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Marcelo Bueno é cartomante com especialização no Tarot. Além de editor do Zephyrus Tarot, promove cursos, workshops e atendimentos com este oráculo.