Qual o Tarot que você usa?

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Ouço muito esta pergunta e considero o questionamento legítimo para quem conhece pouco ou nada de Tarot:

“Qual Tarot você ensina?”

Respondo que uso o Marseille como referência básica, mas que cito outros baralhos quando as características específicas precisam ser evidenciadas, sem contar que os alunos levam diferentes baralhos para a sala de aula e faço uso do material disponível para enriquecer o momento. {imagem: Tarot des Centvries}

Esta, por sinal, é uma resposta honesta, mas “perigosa” do ponto de vista comercial, pois muitas pessoas consideram o Marseille como algo defasado e/ou têm alguma inclinação para tradições mágicas e esperam que o Tarot se torne algo diferente para atendê-las – o que é um grande engano, ainda que outras pessoas afirmem o contrário para “valorizar” um trabalho pessoal.

Como parto do princípio que as turmas se formam com quem tem que estar presente, este é um ponto que não tira o meu sono e sigo adiante – o que, até então, tem dado muito certo.

E, sim, é diferente você dar aula baseado no Marseille ou dar aula baseado no Crowley, por exemplo. A abordagem é outra porque os símbolos são outros (correlatos, mas diferentes) e, por vezes, o próprio sentido da carta é alterado. Eu mesmo já fiz (como aluno) um curso 100% baseado no Marseille e outro 100% baseado no Rider-Waite, por isso uso Marseille por base, mas gosto do estudo comparativo.

Existe, contudo, uma segunda categoria de pergunta que às vezes dá alguma dor de cabeça:

“Qual Tarot você usa para jogar?”

A pergunta não é complicada, mas requer muitas vezes que eu me estenda em explicações, primeiro porque tenho uma caixa repleta de baralhos de Tarot e estou sempre revezando; segundo porque algumas pessoas realmente acham que isso faz diferença.

Claro, há exceções: o Osho Zen Tarot tem o nome de Tarot, tem a mesma estrutura de um baralho de Tarot, mas eu o considero um outro oráculo – já escrevi isso aqui em outras ocasiões – por conta de uma filosofia que é adaptada ao contexto sem maiores compromissos com os atributos originais de cada lâmina.

Fora isso, Imperatriz é Imperatriz, Força é Força e Torre é Torre em qualquer lugar, não importa quão comum ou estranho seja o baralho que se utilize.

E ainda que haja diferentes abordagens para os Arcanos Menores, qualquer que seja a vertente para interpretá-las o oráculo vai cumprir o seu papel de revelar o que precisa ser revelado – é isso que o consulente deseja, certo?

Para um trabalho que fiz dia desses, insistiram que eu deveria dizer que trabalho com o Tarot “x” para “definir o meu estilo” – bullshit! Não estava a fim de me aborrecer – até porque surgiu o argumento “todos os outros responderam” – e botei Marseille, embora alternasse entre um Diamond Rider-Waite e Sacred Rose para atender.

Mas há sempre alguém que adote práticas dúbias e esbarrei na Internet com uma chamada interessante: a pessoa anunciava trabalhar com 3 baralhos diferentes – e nada de excepcional entre eles, pode confiar. Para qualquer consulta com 1 destes baralhos, o preço era um; se você quisesse uma leitura com 2 ou 3 deles, o preço subia em forma sugerir que valia a pena pagar mais.

“Se um Tarot diz um monte de coisas, o que dirão três?” – imagino que seja esse o racional da campanha.

Enganação, isso.

Já joguei com um cara que usava dois maços de Arcanos Maiores, mas não anunciava isso. Ele não era melhor porque jogava assim. Dizia que com 2 baralhos – e ele não trabalhava com Menores – tinha mais agilidade, pois diminuía o número de vezes que recolhia as cartas para embaralhar e jogar de novo.

Entendo bem isso: em feiras os atendimentos precisam ser rápidos e uso as 78 lâminas misturadas (escola americana) para contar com um número maior de cartas na mesa para a construção de um enredo – pode não parecer, mas recolher, embaralhar e redistribuir as cartas toma um tempo precioso quando cada minuto conta.

Mas trabalhar simultaneamente com 2 ou 3 baralhos diferentes não torna um jogo mais profundo e/ou mais revelador, acredite.

Já experimentei, inclusive, combinar o Tarot com outros oráculos, como o Baralho Lenormand e as Runas – em um tempo que posssuía mais habilidade para interpretá-las – e o que posso compartilhar é que as mensagens são reforçadas por fontes diferentes – em outras palavras, dizem a mesma coisa.

E aí, de novo, quero afirmar que não interpreto o Tarot de Marseille, o Tarot do Waite ou o Tarot do Crowley, mas interpreto lâminas de Tarot – ponto. Há muita gente boa no mercado, mas muita gente “esperta” também – cuidado com isso.

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Marcelo Bueno é cartomante com especialização no Tarot. Além de editor do Zephyrus Tarot, promove cursos, workshops e atendimentos com este oráculo.